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Tudo sobre nulidade relativa processo penal 2024

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A nulidade relativa no processo penal é um conceito jurídico de extrema relevância, pois tem o potencial de afetar significativamente a validade de um julgamento criminal. Neste guia, exploraremos minuciosamente tudo o que você precisa saber sobre a nulidade relativa no processo penal em 2023.

A nulidade relativa, também conhecida como anulabilidade, refere-se a defeitos processuais que, embora existam, não invalidam automaticamente todo o processo. Em vez disso, essa nulidade pode ser invocada pelas partes interessadas, como a defesa, desde que cumpram determinados requisitos legais.

Ao longo deste guia, abordaremos em detalhes os seguintes aspectos:

  1. Definição e Fundamentos Legais: O que constitui uma nulidade relativa no processo penal e as bases legais que a sustentam.
  2. Requisitos para Alegar Nulidade: Os critérios e procedimentos que as partes devem seguir para alegar a nulidade relativa.
  3. Exemplos de Nulidades Relativas: Situações comuns que podem resultar em nulidades relativas, como violações de direitos da defesa ou irregularidades procedimentais.
  4. Consequências e Efeitos: As possíveis consequências de uma nulidade relativa, incluindo a revisão do processo e a realização de um novo julgamento.

Este guia é projetado para fornecer um entendimento abrangente deste tópico crítico do direito processual penal, ajudando tanto profissionais jurídicos quanto aqueles que desejam entender melhor o sistema legal a navegar pelas complexidades da nulidade relativa. Continue lendo para explorar esse conceito fundamental no contexto do processo penal em 2023.

Definição e Fundamentos Legais: o que é nulidade relativa no processo penal e as bases legais que a sustentam.

Fonte da imagem: portal JUSBRASIL

No contexto do processo penal, a nulidade relativa refere-se a irregularidades processuais que, embora violem regras e princípios legais, podem ser sanadas e não resultam automaticamente na invalidação de todo o processo. As bases legais que sustentam a nulidade relativa variam de acordo com a legislação de cada país, mas, em geral, estão ancoradas nos princípios de devido processo legal, ampla defesa e contraditório.

Devido Processo Legal: 

O devido processo legal é um princípio fundamental que exige que todas as partes envolvidas em um processo legal recebam tratamento justo e equitativo. A nulidade relativa pode surgir quando ocorrem violações do devido processo legal que, embora prejudiciais, não são consideradas tão graves a ponto de invalidar todo o processo.

Ampla Defesa e Contraditório: 

Esses princípios garantem que todas as partes tenham a oportunidade de apresentar suas alegações e evidências e de confrontar as alegações e evidências apresentadas pela outra parte. A nulidade relativa pode ocorrer se houver violações desses princípios que afetem substancialmente os direitos de uma das partes.

Princípio do Prejuízo: 

Em muitos sistemas jurídicos, para que uma irregularidade seja considerada uma nulidade relativa, é necessário que a parte prejudicada demonstre que sofreu prejuízo real como resultado da irregularidade. Isso significa que a irregularidade deve ter tido um impacto negativo significativo nos direitos ou na posição processual da parte.

Leis e Códigos de Processo Penal: 

A maioria dos países possui leis e códigos de processo penal que estabelecem as regras e procedimentos que devem ser seguidos durante o processo criminal. Essas leis e códigos também costumam conter disposições que tratam das nulidades relativas e das circunstâncias em que elas podem ocorrer.

Jurisprudência: 

Além das leis, a jurisprudência, ou seja, as decisões de tribunais superiores, também desempenham um papel importante na definição e aplicação das nulidades relativas. As decisões judiciais anteriores podem estabelecer precedentes sobre como lidar com determinadas irregularidades processuais.

Em resumo, a nulidade relativa no processo penal refere-se a violações processuais que não resultam automaticamente na invalidação do processo, mas que podem ser consideradas nulas se preencherem certos critérios, como o prejuízo demonstrado à parte prejudicada. 

Requisitos para alegar nulidade: 

Para alegar uma nulidade relativa em um processo penal, as partes devem seguir alguns critérios e procedimentos específicos. Esses requisitos podem variar de acordo com o sistema legal do país, mas geralmente incluem os seguinte processos:

  1. Previsão Legal: Verificar se a lei do país em questão reconhece e estabelece os critérios para nulidades relativas. Nem todas as irregularidades ou violações de procedimentos são consideradas nulidades relativas; portanto, é importante que a alegação esteja respaldada por uma base legal específica.
  2. Momento Oportuno: A alegação deve ser feita no momento oportuno, conforme determinado pela legislação ou pelos procedimentos processuais do país. Normalmente, isso significa que a nulidade relativa deve ser alegada assim que a parte tomar conhecimento dela, durante uma audiência ou em um momento designado para a alegação de irregularidades.
  3. Fundamentação: A parte que alega a nulidade relativa deve fundamentar sua alegação de acordo com a lei e as circunstâncias do caso. Isso significa explicar como a irregularidade afetou seus direitos ou prejudicou seu caso.
  4. Registro em Ata: A alegação de nulidade relativa deve ser registrada em ata ou no registro oficial do processo para que haja documentação formal da alegação.
  5. Manifestação Contrária: Em alguns sistemas legais, a parte que alega a nulidade relativa deve notificar a outra parte e permitir que ela se manifeste sobre a alegação. Isso pode ocorrer para garantir o contraditório e dar oportunidade à parte contrária de contestar a alegação.
  6. Prazos: Respeitar os prazos legais ou processuais para alegar a nulidade relativa. A perda do prazo pode resultar na preclusão desse direito.
  7. Recursos: Se a alegação de nulidade relativa for rejeitada pelo tribunal, a parte pode ter o direito de recorrer da decisão.
  8. Advogado: Muitas vezes, é aconselhável contar com a assistência de um advogado especializado em direito penal para alegar nulidades relativas. Os advogados estão familiarizados com os procedimentos específicos e podem oferecer orientação jurídica adequada.

As nulidades relativas diferem das nulidades absolutas em termos de gravidade e efeitos legais. Portanto, é fundamental compreender as distinções entre elas e buscar aconselhamento jurídico adequado ao enfrentar uma situação que possa envolver nulidades relativas.

Exemplo de nulidade relativa no processo penal:

Nulidades relativas no processo penal podem surgir de diversas situações, muitas vezes relacionadas a violações dos direitos da defesa ou irregularidades procedimentais. Abaixo, estão alguns exemplos de nulidade relativa:

Falta de Intimação Adequada: Quando uma parte não é devidamente notificada sobre uma audiência, decisão ou ato processual, isso pode resultar em uma nulidade relativa.

Violação do Direito de Defesa: Qualquer ação que limite ou impeça o exercício efetivo dos direitos de defesa, como a impossibilidade de apresentar testemunhas ou provas, pode levar a uma nulidade relativa.

Apresentação de Provas Ilícitas: Se uma prova for obtida de forma ilegal ou inconstitucional e for admitida no processo, isso pode resultar em uma nulidade relativa se a parte prejudicada alegar que seus direitos foram violados.

Erro na Admissão de Depoimentos: A admissão indevida ou a recusa injustificada de depoimentos de testemunhas pode levar a uma nulidade relativa.

Impedimento do Contraditório: Quando uma parte é impedida de questionar ou contradizer as alegações ou provas apresentadas pela outra parte, isso pode resultar em uma nulidade relativa.

Ausência de Defensor: Se um réu não tiver acesso a um advogado ou defensor público durante interrogatórios ou audiências cruciais, isso pode levar a uma nulidade relativa.

Procedimentos Irregulares de Julgamento: Qualquer irregularidade no procedimento do julgamento que afete o direito de defesa do réu, como a recusa injustificada de testemunhas de defesa, pode resultar em uma nulidade relativa.

Erro na Qualificação do Júri: Se o júri que julga um caso não for qualificado corretamente de acordo com a lei, isso pode levar a uma nulidade relativa.

Violação do Sigilo de Processo: A quebra indevida do sigilo de processo pode levar a uma nulidade relativa se prejudicar os direitos de uma das partes.

Apresentação de Documentos Falsos: A apresentação de documentos falsos no processo, se descoberta, pode resultar em uma nulidade relativa.

É importante observar que a alegação de nulidade relativa geralmente requer a demonstração de que houve prejuízo real para os direitos da parte prejudicada.

Consequências e efeitos da nulidade relativa cpp

No Brasil, as nulidades relativas são tratadas de acordo com o Código de Processo Penal (CPP) e a jurisprudência dos tribunais. As nulidades relativas são aquelas que podem ser alegadas pelas partes, mas não implicam a anulação automática do processo ou da sentença. Elas dependem da demonstração de prejuízo para a parte que alega a nulidade.

As consequências das nulidades relativas no sistema jurídico brasileiro podem incluir:

  • Alegação Oportuna: A parte que alega a nulidade deve fazê-lo de forma oportuna, ou seja, no momento certo durante o processo, assim que tomar conhecimento da irregularidade. Caso contrário, a alegação poderá ser considerada preclusa, ou seja, perde-se o direito de alegar a nulidade.
  • Demonstração de Prejuízo: Para que a nulidade relativa seja acolhida pelo tribunal, é geralmente necessário demonstrar que a irregularidade causou prejuízo à parte que alega. Isso significa que a parte deve mostrar que, sem a irregularidade, o resultado do processo teria sido diferente.
  • Possibilidade de Correção: Em alguns casos, o tribunal pode decidir corrigir a irregularidade em vez de anular o processo. Isso pode envolver a repetição de atos processuais, a concessão de prazos adicionais ou outras medidas para eliminar o prejuízo.
  • Recurso: Qualquer decisão relacionada a nulidades relativas pode ser objeto de recurso pelas partes insatisfeitas.
  • Novo Julgamento: Se for demonstrado que a irregularidade causou prejuízo irreparável ou significativo, o tribunal pode ordenar a realização de um novo julgamento.
  • Anulação de Atos Isolados: Em alguns casos, apenas atos isolados do processo podem ser anulados, sem a necessidade de anular o processo inteiro.
  • Preservação dos Atos Válidos: A anulação de um ato processual inválido não afeta automaticamente os atos subsequentes que tenham sido realizados corretamente. O tribunal pode preservar os atos válidos do processo.

É importante ressaltar que a aplicação das nulidades relativas no Brasil é regida pelo princípio do devido processo legal, que busca assegurar que todas as partes tenham oportunidade de se defender adequadamente e que não sejam prejudicadas por irregularidades processuais. Portanto, as nulidades relativas são analisadas caso a caso, levando em consideração os princípios de justiça e equidade.

As partes que alegam nulidades relativas devem contar com a assessoria de advogados para orientá-las sobre como proceder e como alegar as irregularidades de forma eficaz durante o processo.

Resumo do artigo

As nulidades relativas constituem ataque a normas infraconstitucionais e que violam interesse de uma das partes no processo. Assim como as nulidades absolutas, possuem algumas características marcantes. São elas:

  1. Comprovação do prejuízo: diferentemente da presunção de prejuízo imanente às nulidades absolutas, deve ser comprovado qual foi o prejuízo causado à parte que a alega. A mera inobservância da forma prescrita em lei não irá ocasionar a nulidade do ato processual, devendo ser lembrado o princípio do prejuízo e também a instrumentalidade das formas.
  2. Arguição oportuna: as nulidades relativas estão sob o pálio da preclusão (temporal ou lógica), podendo ser convalidadas caso não tenham sido alegadas a tempo e modo. Dessa forma, a lei processual estipula os momentos oportunos para que elas sejam alegadas, na forma do art. 571 do CPP. Como exemplo, caso exista no processo criminal uma situação de incompetência relativa (territorial), mas a parte interessada na nulidade não a alegue em tempo oportuno (por ocasião da resposta à acusação, na forma do art. 396-A do CPP), considera-se prorrogada a competência e sanado o vício, ficando o Juiz anteriormente incompetente, agora, competente para julgar o processo.

Da mesma forma que as nulidades absolutas, as nulidades relativas também se encontram no Código de Processo Penal, devendo ser analisado o art. 572, I, do CPP, que preleciona a convalidação das nulidades do art. 564, III, “d” e “e”, segunda parte “g” e “h”, e IV, do CPP, caso não tenham sido alegadas no tempo oportuno. Em outras palavras, por serem passíveis de convalidação, tais nulidades são tidas como relativas.

Além dessas expressamente previstas no art. 564 do CPP, existem as chamadas nulidades relativas não previstas no citado artigo, mas que poderão ser arguidas, desde que haja violação à forma prescrita em lei e seja de interesse preponderante de uma das partes. Tem-se como exemplo a ausência de intimação da parte acerca da expedição de carta precatória. Imagina-se que o Juiz deprecante não tenha intimado as partes da emissão de carta precatória, violando o previsto no art. 222 do CPP. Havendo tal omissão procedimental, a parte prejudicada deverá arguir essa nulidade relativa, demonstrando em que extensão isso lhe prejudicou. Apesar de não prevista expressamente no art. 564 do CPP, trata-se de nulidade relativa, conforme jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, na forma da Súmula 155: “É relativa à nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha”.

Se você estiver envolvido em um caso criminal e tiver preocupações sobre nulidades relativas ou qualquer outra questão legal, é altamente recomendável consultar um advogado especializado em direito penal. Um profissional qualificado pode fornecer orientação personalizada com base em sua situação específica e nas leis atuais.

Se você está procurando assistência legal, pode considerar entrar em contato com o Dr. Ademar Alcântara, um advogado criminalista especializado que pode fornecer aconselhamento jurídico adequado às suas necessidades individuais. Lembre-se de que é crucial buscar orientação legal apropriada para proteger seus direitos e interesses legais.

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